terça-feira, dezembro 26, 2006

No Calor da Noite


Quem observa os links à direita já sabe que não escrevo mais para o Drops de Anis, e agora faço parte do Coisa de Cinema. Ainda não produzo a quantidade de textos que gostaria, mas já estão postadas impressões sobre alguns filmes. Por esses dias, tento escrever sobre Miami Vice, o melhor filme que vi este ano, e que acabou de sair em DVD. Nessa luta, fui atrás de Fogo Contra Fogo, filme de Michael Mann produzido em 1995.


Heat (seu título original) é famoso pelo raro encontro Al Pacino – Robert De Niro, polícia e ladrão numa complexa trama em Los Angeles. Épico de três horas, por incrível que pareça, me lembra Magnólia, de Paul Thomas Anderson. Mais do que os tiros e perseguições, Heat dá importância às tentativas de administrar vida privada com atividades profissionais desgastantes, nas quais a morte é o básico da rotina – e sempre sobra um crime brutal pra dar a dose extra de estresse. Na noite de Natal, a cena do tiroteio na saída do banco me deixou transtornado. Não há nada de apologético àquela violência. A cena pode cumprir sua função narrativa num filme policial, mas Mann faz cada tiro ser sofrido. Nenhuma morte é gratuita, e o impacto é imenso.
Pacino é perfeito, De Niro também, perdidos em complicações afetivas em L.A., mas o filme é forte em humanidade até o último coadjuvante. Impressionante, neste aspecto, a eloqüência com que Mann destrincha as diversas relações amorosas dos homens com suas companheiras. Pacino tanta segurar as pontas do casamento; De Niro quer uma mulher para dividir a folga que vai conseguir por meio do grande assalto; e assim sucessivamente. Talvez daí a semelhança entre as obras de Mann e Anderson: são grandes painéis de pessoas em crise emocional. Se para Mann importam os laços conjugais, Anderson se interessa por ligações paternais. A força é de suas produções é a mesma.
Aliás, Mann também é magistral na construção da amizade entre os integrantes de cada grupo. Policiais e bandidos são quase espelhados. A cena em que os dois líderes conversam sobre o futuro num café e o final maravilhoso me lembram algo saído de algum clássico samurai.

Um comentário:

Joao Oitaven disse...

Putz! Fogo Contra Fogo é realmente duca. Nao conhecia os filmes de Mann e me surpreendi com Miami Vice, o filme que mais gostei deste ano (ao lado de O Novo Mundo). No mesmo mês de lançamento de Miami Vice, saiu numa revista daqui um artigo de umas cinco páginas sobre Mann.

Parabéns pelo Coisa de Cinema, Saymon. Eu tava por fora da mudança.