segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Oscar 2014

E esse Oscar, hein?

Pra mim há apenas um grande filme, o melhor disparado com vários corpos de vantagem, que é 12 Anos de Escravidão. A gente fica com o pé atrás, filme de artista plástico, cheio de vícios, mas ele entrega um conto super clássico, duro e respeitoso sobre um tema que Hollywood sempre jogou pra debaixo do tapete. Depois de Shame, a última coisa que eu esperaria de um filme de Steve McQueen é que me lembrasse Clint Eastwood.

Eu até gosto de Gravidade, o incrível filme que encolheu, mas ser favorito a categorias como direção me parece um disparate. Me irrita mais ainda essa xaropada do filme querer ser profundo (filha morta no passado, metáforas espirituais) e não uma maravilhosa corrida maluca no espaço. Trapaça é o contrário, até cresceu na cabeça. Todas as críticas que lhe fazem me soam como elogios: caótico, derivativo, desarticulado.

Não sou o maior fã de O Lobo de Wall Street. No fundo, não é David O. Russell que imita Scorsese, e sim ele mesmo que dilui o estilo de seus grandes clássicos. Quando decanta, só sobra histeria. Que final ruim, além disso... Capitão Phillips é tenso, Tom Hanks está incrível, mas nunca me senti confortável com o filme. Só revendo pra saber se estou mesmo diante de um filme filho da puta ou não. Agora fico em cima do muro.

Nebraska não é tão ruim, é só aquela sensibilidade meio infantil de Alexander Payne, que sempre quer falar de coisas que vão além da sua capacidade. Ainda não me recuperei daquela cena de Os Descendentes em que uma garota (e o roteiro) fazem piadas tolas na presença de uma pessoa morrendo num leito de hospital. Esse aqui é quase igual, só que  com June Squibb sequestrando o filme no papel da idosa desbocada...

Daí pra baixo é puro terror. Philomena é praticamente um telefilme, apesar de Judi Dench. Não estaria deslocado no Você Decide, da Globo. Clube de Compras Dallas é a lição de moral do ano, a transformação cinematográfica do homófobo em tolerante por meio da AIDS. Céus.

Por fim, o pior de todos pra mim é Her/Ela, um filme inacreditavelmente nulo fotografado com um filtro do Instagram sobre "a solidão da modernidade". Bullshit, é só autopiedade indie (mas quem mandou ser misantropo?) com incrível decoração de interiores. A melhor personagem é a ex-mulher, que fala umas verdades pro Joaquin Phoenix e é muito mais interessante do que esse banana solitário. O filme nem dá a ela cinco minutos, claro.

Melhor ator: Chiwetel Ejiofor
Melhor atriz: Cate Blanchett
Melhor ator coadjuvante: Michael Fassbender
Melhor atriz coadjuvante: Jennifer Lawrence

Por fim, puta que pariu, como raios Inside Llewyn Davis não entrou nesse bolo? É Irmãos Coen em grande forma em um mais daqueles massacres de personagem que, enfim, não parece regido por dois cineastas brincando de vudu com seu protagonista, mas por um lógica bem particular da vida e do acaso, que às vezes simplesmente insiste em não colaborar. FILMAÇO.

Um comentário:

Mirdad disse...

Você é oposto de tudo que eu acredito no cinema. Deixei de te seguir depois deste post. Abraço.