sexta-feira, maio 18, 2012

TOP 10 MAD MEN

O legal de Mad Men é que como a série dá pouca ligança pra essas coisas de desenvolvimento de plots, arcos de personagens, etc, os episódios funcionam como pequenos filmes soltos - e o que a gente sabe sobre cada um dos personagens tem uma lógica não linear, cumulativa de uma maneira não-sequencial, elíptica. Por isso, então, que é bem mais fácil separar cada episódio do todo, e, a despeito da série ser completamente brilhante quase sempre, podemos eleger nossos momentos favoritos sem muita dificuldade de distinguir cada unidade do total.

Se eu tivesse de fazer um top 10 de episódios de Mad Men hoje, acho que seria assim:

10 - Nixon vs Kennedy - Na primeira temporada a série tinha esse hábito de soltar aos poucos, sem pressa, o que há por trás da história de Don Draper. Depois de uma série de situações tensas com um irmão indesejado, temos enfim a revelação de como Don virou Don - a diferença é que isso em vez de esvaziar, tornou o personagem ainda mais enigmático.

9 - Souvenir - Don e Betty vão pra Itália e abrem um parêntese de sedução num casamento já condenado. Pete mostra seu lado mais filho da puta, aliás, se aproveitando da babá da família vizinha.

8 - Far Away Places - Acho que é o episódio mais diferente em tempos de narração, o único que chama a atenção para sua não-linearidade em toda a série (antes os únicos recursos utilizados pra quebrar o andamento normal eram flashbacks e elipses). De qualquer jeito, o troço é tão inteligente que é completamente justificado: três histórias espelhadas de pessoas em diferentes tipos de crise, uma depois da outra: a cada novo re-desenvolvimento, uma sensação labiríntica de que aquilo não vai acabar. E há o LSD, claro.

7 - Meditations in an Emergency - O finale da segunda temporada, em que Betty finalmente toma coragem para liberar pulsões carnais insinuadas desde sempre e faz sexo com um desconhecido, apenas para voltar para Don em seguida. Peggy conta a um Pete estupefato (e doido pra ter um filho) que foi mãe de um filho dos dois e deu pra adoção. Força desse episódio aqui é um raro desenlace de situações em suspenso durante muito tempo, o que faz com que a porrada venha forte e sem muito esforço.

6 - Signal 30 - Em geral é assim com Betty e Pete: personagens detestavelmente complexos, que cruzam diversas vezes a linha do aceitável e talvez do mau caratismo sem que sejam, de fato, “vilões”, pessoas unidimensionalmente más, etc. Por outro lado, o tanto de background que a gente tem sobre os dois nunca vira motivo de causa-consequência pra justificar o que eles fazem. Esse é o melhor episódio Pete de todos, praticamente um evisceração do personagem em todos os fronts da vida.

5 - The Jet Set - O primeiro da monumental sequência de episódios que encerra a segunda temporada. Don Vai para a Califórnia, passa mal, e encontra personagens fugidos de Bonjour Tristesse.

4 - The Mountain King - Na Califórnia, ficamos sabendo que o relacionamento de Don e Anna Draper é muito bonito (e as únicas pessoas que se tornam amigas de verdade dele são mulheres - Anna e Peggy). O final, com o banho de mar, é quase místico, uma daquelas pausas pra respirar que a vida nos impõe de vez em quando. No mesmo episódio, o futuro marido de Joan mostra que é um crápula numa cena chocante.

3 - The Hobo Code - logo na primeira temporada, um dos melhores flashbacks de Don Draper; não é uma revelação do passado dele, mas um insight preciso sobre como era a sua família numa América rural e falsamente bucólica. Lembra Faulkner.

2 - The Grown-Ups - O famoso episódio da morte de Kennedy, onde a série (a América, o mundo) para em comoção total. Esse episódio representa o melhor de Mad Men: nada acontece, tudo está em suspenso, e a gente observa gente andando pros lados, em tensão insuportável. Melhor episódio também em termos de sincronia com a História, num daqueles momentos em que ela atropela as pessoas.

1- The Suitcase - O único ponto realmente muito alto da quarta temporada, mas, nossa, que ponto alto! Dois personagens andando pra lá e pra cá conversando sobre a vida, suas perdas, ambições e frustrações. Se tom fosse outro, seria quase um filme de Antonioni. Enfim, é o auge de texto, direção e atuação de toda a série, ainda insuperado. É um episódio verdadeiramente lindo.

2 comentários:

sofia martínez disse...

É um facto que Mad Men se tornou uma das minhas séries favoritas que ela gostava, não só pela parte visual, mas a parte do script é ótimo.

Gabriel Versólogo disse...

Eu também gosto muito do episódio "Summer Man".