terça-feira, dezembro 16, 2008

Panteão

Procurando Nemo na Tela Quente. Caramba - lembro de ter amado esse filme não apenas por sua esplêndida maquinaria, mas pela inteligência com que recicla a velha história da carochinha do resgate do ente querido. Há tantas idéias maravilhosas passando por essa trama básica, que fica fácil entender as lágrimas da mulher entrevistada por Eduardo Coutinho em Jogo de Cena: "Esse filme tem tudo; é a vida".



Salve quem puder (a vida)

Nemo sempre foi meu filme da Pixar preferido, mas hoje não tenho mais tanta certeza. Será que gosto mais dessa execução genial de uma velha história ou do arrojo narrativo de Wall-E, e seus 40 minutos de silêncio? Ou de Ratatouille, um longa que tem profundidade rara não apenas para desenhos, para todos os filmes? Difícil dizer, mas o fato é que a Pixar sempre encaixa um filme na lista de melhores do ano. No meu panteão pessoal, o lançamento mais recente do estúdio não alcança o topo, mas está firme no top 10.

Por falar nisso, outra escolha obrigatória é Canções de Amor, o musical sobre a velocidade das paixões de Christophe Honoré, finalmente em cartaz na cidade, no Cinema da UFBa. O troço tem uma força sobre-humana, os sentimentos afloram no ímpeto de quem tem o coração aberto, e só a música para dar conta de tanta emoção. Lindo, maravilhoso filme, e uma curiosa expansão dos limites sexuais da nouvelle vague, movimento cinematográfico de que é herdeiro e refundador.

***

Ando vendo algumas coisas que perdi para melhor compor essa lista. Já descartados estão A Família Savage e Não Estou Lá. O primeiro é um desses produtos que servem para medir a ambição de humanidade do cinema americano independente: não resiste a qualquer cena de um filme argentino médio. Ser sincero só depõe contra o filme, porque dá noção exata da mediocridade da diretora Tamara Jenkins.

Mas não é mau: Laura Linney e Philip Seymour Hoffman estão excelentes como de hábito e o filme nos poupa dos diálogos espertos, sarcásticos e artificiais que tanto me afligem em bobagens como Juno... No entanto, fica bem longe do melhor filme do estilo produzido nesta década, também estrelado por Laura Linney: em DVD, Conte Comigo, de Kenneth Lonergan, precisa ser descoberto.



Conte Comigo, pérola perdida

Quanto a Não Estou Lá, primeiro filme de Todd Haynes desde seu excelente Longe do Paraíso, vale dizer que não tenho a menor idéia do porquê ele não funciona (e dá sono). O filme pede revisão, até mesmo para provar que estou errado. Mas, por enquanto, fora da lista. Depois falo mais sobre essa revisão, com algumas palavras para Angel, o ótimo último Ozon.

Um comentário:

João disse...

Laura Linney está virando referência nestes dramas familiares. Comprei o dvd de A Lula e a Baleia, mesmo sem ter visto o filme e não me arrependi: o filme é maravilhoso. Conte Comigo eu vi em vhs há quase dez anos, pena que o dvd foi exterminado do mercado. Mas como a 2001 Video voltou com As Virgens Suicidas, que saiu também pela Paramount na mesma época, quem sabe né...

Obs: ainda bem que mais gente se irritou com aqueles dialógos fakes de Juno. Mas o filme tem qualidades, não posso falar mal de nenhum filme que tyem a Cat Poqer na trilha...