sexta-feira, dezembro 07, 2007

De Volta Pro Aconhego

Acabou. Quer dizer, não acabou, ainda vou fazer algumas mudanças, mas a fase monografia está praticamente superada, e posso voltar à vida normal. Durante todo esse ano, meu "livro de ônibus" foi a edição reunida dos três Febeapá de Stanislaw Ponte Preta. Leitura incrivelmente carioca, papinho de Lapa, Leme, Copa e Ipanema, cerveja, boemia e "essas bossas".

Mundo bom, talvez, jornalistas, praias, Rio, anos 60, clima Domingos de Oliveira. Sim, mas também há de se lembrar que o humor irresistível e insinuante de SPP é uma reação à idiotia que assolou o Brasil depois do golpe de 64. SPP, ou Sérgio Porto, seu nome de batismo, morreu antes do AI-5 com quarenta e poucos, do coração.



Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta

Depois de terminar essa leitura de meses - uma crônica por dia, às vezes por semana, mais ou menos - comecei a biografia de Truman Capote que ganhei de aniversário. Mal posso esperar para a hora da festa à fantasia de preto e branco, que Sérgio Augusto descreveu tempo atrás no Estadão com base no texto dessa biografia, e com texto melhor, claro. Traduzido por Lya Luft, o livro de Gerald Clarke é fácil e rapidamente devorável (ou a "história" é muito boa?), mas penso no que um SA ou Ruy Castro faria com o material. Bom, talvez eu goste sempre de ler o mesmo livro.

Voltei a ver filmes também. A Comédia do Poder não é um Chabrol do nível de A Besta Deve Morrer, O Açougueiro ou A Mulher Infiel, mas mantém o padrão sedutor e estiloso de seus últimos longas - A Dama de Honra, A Teia de Chocolate, Negócios à Parte. No entanto, tem uma coisa que o destaca dos demais: uma das melhores interpretações da grande Isabelle Huppert, sutil, inexcedível.



Huppert, provavelmente a melhor atriz da atualidade

No geral, ela costuma pegar papéis de mulheres reprimidas, com uma aparência de dureza e fragilidades emocionais não evidentes. Essa divisão é bem visível, até a hora que ela não consegue se controlar e vira freak, como em A Professora de Piano, provavelmente seu melhor trabalho. Aqui, ela é completamente resolvida, segura, quase doce, mas há sempre mais do que isso no seu rosto. Uma ponta de vaidade, um senso de humor delicado, mas sádico, alguma tristeza.

Mas isso tudo não parece deslocado do personagem, como forma fundo. O personagem é uno, não atua, e é maravilhoso ver Huppert administrar essa construção mais complexa. Com o rosto, ela parece tocar no piano uma melodia minimalista e discreta que o personagem dessa juíza linha dura. O filme é muito mais um perfil de mulher do que qualquer ensaio sobre política e corrupção.



Law, Binoche e Robin Wright Penn

Outro: Anthony Minghella, diretor de O Paciente Inglês, O Talentoso Ripley e Cold Mountain volta à tividade com um filme pequeno, nada épico, Invasão de Domicílio. O longa se passa em Londres, e mostra as relações perigosas de um arquiteto e uma imigrante bósnia. Não dá para esperar uma tensão política forte de coisas como Caché e Código Desconhecido, mas o filme até que constrói bem os laços humanos da coisa toda.

Isso, até entrar em modo de auto-destruição, com um desfecho improvável, medroso e covarde, tirado da cartola. Nem morde tanto, e já assopra desse jeito... Em tempo, Jude Law está excelente. Juliette Binoche, quarentona, mas linda e sexy mesmo desglamourizada, mostra um pouco da carne que recheou a Playboy francesa de dezembro.

Um comentário:

Gabi disse...

nss, quanta coisa atrasada pra ler no teu blog!! (passei uns dias sem computador...)

parabénnnns pela monografia aprovada, era sobre o q mesmo?

mto boa sorte!!! =D


beijões