quarta-feira, fevereiro 20, 2008

O fim do mundo

Nesse fim de semana, Oscar... Bom, alguns pensamentos rápidos sobre alguns dos competidores.

>>> Onde os Fracos Não Tem Vez: Poucos filmes merecem o título de obra-prima, ainda mais nesse período decadente do cinema americano. Esse último filme dos Coen merece. É, a um só tempo o filme mais bem dirigido dos irmãos, com tensão insuportável em todas as cenas, e radical retrato de certa América onde Deus ou qualquer outro tipo de redenção NÃO sobrevive. O mal está solto. Mais. Nota: seguir conselhos de Tiago A. e ler livros de Cormac McCarthy. (EDIT: o não em negrito não estava aqui, sumiu na digitação. A palavra faz toda a diferença)



>>> Juno: Passo. A mesma comédia adolescente esperta, idolatrada em excesso por quem se identifica com esse tipo de conflito raso e besta. Ainda assim, bons atores, bem escrito, agradável. Nada que justifique um Roger Ebert da vida dizer que foi o melhor filme do ano. Se bem que o gosto de Ebert só presta para clássicos. Ainda nessa década, ele aclamou Crash - No Limite, um filme que, dizem, foi escrito por Glória Perez e não por Paul Haggis.



>>> Sangue Negro: Paul Thomas Anderson, com o brilhantismo de sempre, abre novos caminhos na carreira, longe das várias histórias de vidas cruzadas de Boogie Nights e Magnólia. (EDIT: tinha uma repetição bizarra nesse período). Aqui, uma belíssima retomada de temas consagrados em meio cinema americano: o sucesso do empreendedor. A diferença é o olho de PTA - o filme não é uma ode ao espírito capitalista (como À Procura da Felicidade) nem apenas uma crítica. É um retrato de alguém profundamente ensimesmado psicologicamente, completamente incapaz de estabelecer laços afetivos profundos e obcecado, sim, pelo poder. Nada de clichês nesse perfil, apenas boas influências. Pela amargura, filme é primo próximo de Touro Indomável, de Martin Scorsese.

3 comentários:

Lucas Murari disse...

"decadente cinema americano" ?


ahh...me desculpe:
Zodiac, Death Proof, We Own the, I’m Not There, No Country for Old Men, Inland Empire, Eastern Promises, Bug, American Gangster, Before the Devil Knows You’re Dead, There Will be blood. Essa safra 2007/2008 é uma das melhores dos últimos tempos.

talvez "Swenney Todd" e "Cloverfield" sejam decadentes, mas o cinema americano não está em crise.

tiago a. disse...

*Blood Meridian*

Saymon Nascimento disse...

Tem razão, Lucas. Cinema americano vai bem obrigado. É que sou saudosista de outros tempos (e filmes) e acabo sempre com a perspectiva alterada. Em relação ao resto do mundo, hoje, sim, vc tem razão.