quinta-feira, novembro 22, 2007

Na sala

Minhas duas salas preferidas da cidade ficam no Aeroclube: 7 e 8. Acho bacana as recordações passadistas de salas suntuosas com mil lugares, dos anos 50, mas quem não tem cão, caça com gato. Fora o circuitão dos shoppings, temos a Walter e as Salas de Arte. A Walter é bacana, e faz tempo que não vou, mas só presta para quem senta na frente. Lá vi Morte em Veneza, Rocco e Seus Irmãos, Gritos e Sussurros, A Doce Vida, Os Incompreendidos, O Passageiro: Profissão Repórter e A Noite.

Das Salas de Arte, gosto muito menos - o Museu tem tela pequena, mas aquelas pedras e o formato epidauro são sensacionais; a Aliança causa dor no pescoço, principalmente para quem senta nas cadeiras do fundo; só fui duas vezes ao MAM, o lugar é inacessível, e a sala, medíocre, claustrofóbica, estreita. As melhores são a nova Sala da UFBA, que só tem projeção digital, mas é ampla, e o Cine XIV, lugar onde a pouca profundidade do cinema trabalha a favor do filme - lá vi Dolls, Má Educação e 2046, experiências visuais inesquecíveis, não só pelos filmes, mas pela proximidade da tela. Incrível como não fica ruim, dá pra ver e ler as legendas tranqüilamente.

Nos shoppings, tudo igual, só contando a diferença de qualidade entre os não-multiplex (Barra, Lapa) e os multiplex. O Iguatemi é melhor que o Cinemark, menos high-tech e sem os bizarros erros de projeção que já vi em poucos meses da rede aqui - o Multiplex tem quase dez anos e nunca vi um microfone sobrando na imagem. Mal conheço o Itaigara (só fui duas vezes), mas achei tudo muito bom.

No entanto, essas salas me parecem todas iguais, despersonalizadas. Gosto das salas 7 e 8 do Aeroclube porque elas me parecem estranhas dentro dessa linha de montagem. Para começar, têm tela larga, já na proporção do Cinemascope. Quando eles passam um filme flat (1.85:1), metade da tela fica escura. Mas quando exibem filmes 2.35:1, fica uma beleza.

Dália Negra, filme que não gosto, ficou majestoso projetado em tela larga, ocupando todo o espaço da sala. Em geral, esse tipo de filme é exibido nas telas normais, com o escuro em cima da tela, porque o espaço da janela não encaixa. É ok ver os filmes 2.35:1 nessas telas, já que a imagem não é cortada, mas se está passando na 7 ou na 8 do Aeroclube, corro para ver.

Da 8, gosto mais ainda do que da 7. Ela parece mesmo antiga, e bizarra. Você entra não embaixo, mas no meio da platéia, e tem um grande corredor dividindo a metade de cima e a a de baixo - acho que é a única sala da cidade assim. A sala não tem muita inclinação (parece o Barra), mas isso aqui é positivo. De qualquer altura, dá pra ficar com um ponto de vista legal em relação à tela, e sem cabeças na poltrona da frente.

2 comentários:

João Oitaven disse...

Cara, me lembro de ter visto
A Perfect Murder (nao me lembro do título em português; é aquele remake(?) de Dial M For Murder)em alguma das salas do Multiplex.
Pois é, o filme tem todo aquele "suspensezinho" e tal, e pá: olha o microfone alí.
Não apareceu só em um plano, nao. Aparecia a toda hora, quebrava todo o clima. Toda a sala começava a rir.
No final das contas a lembrança que tenho do filme é a de uma comédia com algumas tentativas de assassinato pelo meio do caminho.

Saymon Nascimento disse...

Engraçado, mesmo assim, esse tipo de coisa no Iguatemi é bem raro.

O microfne dá a sensação estranha, principalmente em filmes de suspense, que tem algum alien vindo do céu. Bizarro.